Steve Jobs, diretor-presidente da Apple, e William Henry Gates III — ou meramente Bill Gates —, presidente da Microsoft, subiram juntos ao palco da conferência D: All Things Digital, evento inédito em 23 anos em que não apareciam juntos em público.
Segundo o site da conferência, a última vez em que ambas as estrelas do mundo da tecnologia foram publicamente vistas juntas foi em 1984, quando Jobs entrevistou Gates na condição de possível parceiro no “Macintosh Dating Game”.
Todos os detalhes do histórico encontro entre Jobs e Gates e de sua conversa com os jornalistas Walter Mossberg e Kara Swisher e com a platéia pode ser assistida em vídeo nesta página do site da D5. Abaixo, o primeiro segmento do vídeo.
Desse encontro, destacamos:
- Swisher perguntou a cada um qual achavam ter sido a maior contribuição do outro para a indústria da informática. Jobs respondeu aproximadamente: “Gates construiu a primeira empresa de software da indústria e acho que o fez antes que qualquer pessoa em nossa indústria soubesse o que é uma empresa de software, e isso foi grande. E o modelo de negócio que acabaram perseguindo acabou funcionando bem. Bill focou-se em software antes que qualquer um tivesse idéia sobre o que é isso. Haveria muitas outras coisas a dizer sobre a influência da Microsoft no mundo da informática, mas essa era a principal delas”. Gates começou sua resposta brincando com Jobs dizendo: “Não sou o falso Steve Jobs” (em alusão ao assunto comentado neste artigo do AppleMania). Prosseguiu dizendo que a Apple realmente perseguiu o sonho de construir produtos que todos queremos usar. “Ele fez isso com incrível bom gosto e elegância. A Apple literalmente estava fracassando antes da volta de Jobs, que reintroduziu inovação e o assumir riscos, e isso foi fenomenal. Ele sempre pareceu perceber onde está o próximo passo da indústria. A indústria beneficiou-se tremendamente de seu trabalho. O que Steve fez foi fenomenal. “
- Jobs: “O grande segredo da Apple é que a Apple vê a si mesma como uma empresa de software. E não restaram muitas empresas de software. E a Microsoft é uma empresa de software. Vemos o que fizeram e algumas coisas são realmente ótimas, outras são competitivas e outras não. A meta da Apple é muito mais modesta do que dominar o mundo. Não cremos que teremos 80% do mercado. Ficamos felizes quando nosso mercado cresce um ponto.”
- Quando solicitados pela repórter Kara Swisher para que dissessem qual foi o grande mal-entendido ocorrido no relacionamento entre eles, Jobs brincou: “Termos mantido nosso casamento em segredo por mais de uma década agora.”
- Respondendo pergunta sobre padronizações e dispositivos de convergência, Jobs disse: “Bill e eu concordamos que podemos reduzir as opções a duas!”. Gates: “O mercado é ótimo em permitir diversidade quando necessário e permitir que vá embora quando necessário”. Jobs retrucou brincando: “E algumas vezes permitir que volte! Harrrrr.” [Risos]
- Sobre seus legados, Gates foi aplaudido devido a seu trabalho beneficente. Sobre se Jobs invejava a segunda atividade de Gates: “A meta de Bill não é ser o homem mais rico do cemitério. (…) Vejo-nos como dois dos caras mais sortudos do planeta. (…) Encontramos o que amamos no lugar certo e no tempo certo, família e etc. Que mais podemos pedir?”
- Sobre a participação de ambos na conferência, foi-lhes perguntado o que gostariam de ter aprendido um com o outro. Gates: “Admiro o bom gosto do Steve. E isso não é piada.” Jobs: “Se a Apple pudesse ter tido um pouco dos bons parceiros que teve a Microsoft no início, teríamos nos saído melhor.” Jobs disse também que desejava que ele e Steve Wozniak, co-fundador da Apple junto com Jobs, tivessem aprendido mais cedo a fazer parcerias, como fez a Microsoft. “Se a Apple tivesse mais disso em seu DNA, teríamos nos saído muito bem. Não aprendemos isso senão algumas décadas mais tarde.”
“Steve, muito cauteloso, usando as mãos bem próximas do peito. Bill, muito amigável, muito aberto, surpreendentemente acessível. Esses dois caras são um em um milhão e ficou bem claro que nunca respeitaram ninguém tanto quanto um ao outro”, opinou o Engadget.
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