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A Palm e seu abjeto conceito de ‘concorrência salutar’

“Pode alguém mandar a seus clientes uma mensagem mais confusa e menos digna de confiança que ‘somos um bando de incompetentes incapazes de fornecer software próprio de sincronização para nossos produtos’?”

 

“Quando o Pre foi anunciado, um assunto frequente entre os desenvolvedores era a ‘competição’ — ou seja, como seria bom ter alguma saudável concorrência contra o iPhone. Naquela época o Pre parecia ser o primeiro, mais promissor e viável concorrente do iPhone. Tristemente, no entanto, nove meses depois, o que deveria ser concorrência não passa de uma infeliz e infantil chateação. Qualquer que tenha sido a quantidade de entusiasmo e capital investido pela Palm em torno do lançamento do Pre ficou diluída em um irracional e trivial jogo de gato e rato com a Apple em torno da sincronização com o iTunes. O mais triste é saber que se trata de um jogo desnecessário, ainda que a Palm pense o contrário”, lamenta-se Craig A. Hunter em seu blog.

Ele justifica seu argumento lembrando não ser necessário para a Palm entrar nesse jogo, pois há como fazer a sincronização entre o Pre e o iTunes sem recorrer a expedientes desonestos como o de tapear o iTunes para que pense ser um iPod, como novamente fez a Palm nos últimos dias mesmo tendo sido advertida pelo USB Forum de que sua prática é proibida pelas regras da entidade.

“Veja, a Palm não precisa do iTunes para sincronizar o Pre. Ela não precisa acender a ira da Apple ou brincar de ioiô com seus usuários por causa dessa importante capacidade. Ela pode sincronizar o Pre com a biblioteca do iTunes do usuário usando uma abordagem pública, aberta e documentada que tem sido usada há anos por outros desenvolvedores e fabricantes de aparelhos. E essa capacidade foi criada por ninguém menos que a própria Apple. É uma simples questão de ler o arquivo XML de catálogo da biblioteca do iTunes no computador do usuário e usá-lo para criar uma capacidade de sincronização para o Pre. Não só esse arquivo XML é um arquivo texto comum legível para qualquer humano como também é um documento cuja definição está publicada. A Apple desenvolveu esta abordagem do XML especificamente “para tornar suas músicas e listas de reprodução acessíveis a outras aplicações” (veja KB HT1660). (…) Combinado com os arquivos musicais indexados por esse catálogo XML, tem-se tudo de que se precisa para acessar ou sincronizar músicas do iTunes. Não sei como a Apple poderia ser mais aberta ou flexível que isso”, observa Hunter.

“Por que a Palm não consegue respeitar ou entender isso está além da minha compreensão. (…) Claramente há outras empresas sabendo como sincronizar facilmente as músicas do iTunes (veja o BlackBerry Media Sync da Research In Motion, por exemplo), então por que a Palm não desenvolve uma solução de sincronização para seu próprio hardware? O motivo exato é desconhecido, mas acho que deve ser por uma combinação de razões. Talvez a Palm não tenha os recursos necessários para desenvolver sua própria aplicação de sincronização. Ou talvez queira alguma publicidade. Ou talvez queira só irritar a Apple. Quem sabe? Mas questiono seriamente a estratégia e a inteligência de qualquer empresa que tente ligar capacidades críticas de um produto ao uso não suportado do software do concorrente. Fala sério! Será que isso pode ser mais ridículo? Pode alguém mandar a seus clientes uma mensagem mais confusa e menos digna de confiança que ‘somos um bando de incompetentes incapazes de fornecer software próprio de sincronização para nossos produtos’?”, critica Hunter.

“Competição saudável? Longe disso”, encerra ele.

Leia mais no altamente recomendável artigo completo de Hunter.

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2 opiniões sobre “A Palm e seu abjeto conceito de ‘concorrência salutar’”

  1. Quanto mais a combalida Palm — que já começou a demitir funcionários devido ao fracasso de vendas que é o Pre (veja referências aqui, aqui, aqui e aqui) — insiste nessa estupidez, mais me pergunto se o CEO Jon Rubinstein está dando vazão a algum rancor guardado da época em que era funcionário da Apple ou se, na verdade, ainda trabalha para a Apple. Ambas as hipóteses fazem sentido.

    1. E é engraçado eles continuarem investindo rios de dinheiro para um novo smartphone, o pixie, cuja motivação para comprar em detrimento do pre eu falho em ver, mas não fazer um programa próprio usando as apis públicas do itunes que qualquer estagiário recém formado faria.

      Dinheiro ainda não é um problema, visto que estão torrando em um produto redundante. Eu fico me perguntando: qual é, então, a motivação?

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