Líder do grupo de hackers que tenta desbloquear o iPhone culpa a operadora AT&T pelo fato de o aparelho da Apple não ser ainda mais poderoso.
“‘Tenho quase 30 anos, moro nos Estados Unidos, trabalho na indústria da telefonia celular’. Esse é o perfil de GJ, ‘líder’ dos hackers do iPhone que entrevistei com exclusividade há pouco, no canal do IRC usado para trocar informações sobre o status da pesquisa do celular da Apple. GJ surgiu desde o início como uma espécie de porta-voz do coletivo que usa um wiki para divulgar a evolução no hackerismo do aparelho”, escreve Marcelo Nóbrega em artigo publicado no Futuro.vc.
Segundo Nóbrega, o hacker disse que a Apple está ciente dos esforços de seu grupo, mas não os contactou. Embora não acredite que a empresa inicie uma briga do tipo gato-e-rato fechando cada lacuna explorada pelos hackers, acha que a Apple os combaterá “pelo histórico da disputa em relação à quebra da proteção da loja iTunes”. GJ sabe que uma próxima atualização do software iTunes poderá fechar as portas que os hackers estão explorando.
“Em relação aos objetivos colocados para o hackerismo do iPhone, GJ assume que o mais difícil é o desbloqueio do celular para uso por qualquer operadora ‘porque não é a especialidade central das pessoas que trabalham no projeto. A instalação de softwares de terceiros também será complicada, por não haver um kit de desenvolvimento. Mas não duvide: quando o iPhone for desbloqueado, muitos outros se interessarão em criar programas para ele’”, escreve Nóbrega.
O porta-voz da comunidade hacker declarou a Nóbrega que já é possível acessar qualquer arquivo dentro do aparelho, movê-lo, inserir novos, acessar o bootloader, iniciar e parar serviços e enviar comandos ao celular, ainda que sem retorno na tela. “Acho que a Apple conseguirá reverter isso, mas não nos impedirá de recuperar nosso avanço. Fazer a reengenharia do iPhone seria muito complicado para a empresa nesse estágio”, disse GJ, segundo Nóbrega. Foi assim que ele teria descoberto imagens entre os arquivos do celular que trazem os logos da T-Mobile e da Vodafone, operadoras citadas como possíveis parceiras da Apple na Europa. “Obviamente, GJ também acha estranha a presença das marcas sem um acordo formal, mas diz que o importante é o ‘erro’ da Apple em ter se juntado à AT&T.”
“‘O iPhone não é o que poderia ser. Mas não podemos confundir o desejo da Apple em inovar com o conservadorismo da AT&T. Esse é um dos motivos para que eu ache que a parceria não funciona. O celular poderia ter sido muito mais. Imagino que seja frustrante para os engenheiros da Apple, que gostariam que algumas das funções fossem diferentes. É um produto muito bom para uma primeira versão, mas poderia ter sido melhor executado’”, disse GJ a Nóbrega.
Para GJ, diz Nóbrega, o principal do iPhone é a amostra de quão avançada a tecnologia da Apple está e para onde a computação irá nos próximos anos.
“‘As redes de terceira geração são um investimento estratégico. A AT&T ainda não fez esse investimento. Para que fazer se ainda estão faturando com suas redes de 2,5G, EDGE? Me surpreende que a Apple não tenha escolhido usar o iPhone numa rede 3G, experimentando a mesma qualidade da interface com a experiência veloz do UMTS. A Apple deveria ter depositado as esperanças no aparelho como fonte de renda, com o preço apropriado, em vez de apostar na divisão de lucros com os assinantes da AT&T’”, disse GJ a Nóbrega.
Segundo ele, GJ explica que os Estados Unidos apostam no crescimento econômico pela transição tecnológica, que exige troca de equipamentos e de infra-estrutura. “A Apple decidiu balancear essa questão na primeira fase do iPhone. Coisas simples denunciam isso, como a impossibilidade de uso das músicas do iPhone como ringtones. A Apple não permitiu isso porque a AT&T não ganharia nada”, disse GJ.
“O hacker defende que a Apple deveria ter lançado o iPhone desbloqueado, sem operadora, e observado a reação do mercado. Defendeu que na Europa isso acontece sempre, e completei que há muitos celulares para compra no Brasil sem o vínculo com operadoras. Nessa hora, GJ confessou que passou uma temporada a trabalho no Brasil, em São Paulo. E brincou, quando perguntei se ele falava português: ‘Eu não falo português ou espanhol’, respondeu, pedindo logo para mudar de assunto”, conta Nóbrega.
Nóbrega conta também que a estratégia de GJ é atrair os internautas para o esforço dos hackers ao mesmo tempo em que oferece à Apple pistas para fechar as brechas exploradas. “Há grupos que trabalham em segredo”, disse ele a Nóbrega. “Nosso coletivo chegou à conclusão de que é melhor mostrar o que estamos fazendo. É uma ótima ferramenta de aprendizagem. Tenho fé — você pode chamar de ingenuidade — que um dia as empresas perceberão que o design aberto de seus produtos é benéfico para seu negócio. Não digo que não precisamos nos resguardar, mas os usuários hoje querem personalização e indidualização. E a Apple é voltada para isso. Se eu fosse ela, tomaria isso como lição. Observe o Google. A liberdade que oferece às pessoas, dentro de limites, traz coisas muito interessantes”.
Mais detalhes no artigo completo de Nóbrega.
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ADOREI o artigo!
E adorei a iniciativa do GJ e sua “ingenuidade”.
Vamos ver no que vai dar.
Eu acho que até o Brasil conseguir colocar o iPhone no mercado, ele já estará em segunda geração, como acontece com todo o hardware da apple, citando mais recentecemente os Macbooks e Pros, (Apple)?TV e por aí vai.
Creio que no próximo Macworld sai versão nova.
Atualizacao: Aqui na Australia já tem gente desbloqueando iPhone, veja aqui passo a passo como fazer, com video.
http://superedge.blogspot.com/2007/08/como-hackear-e-desbloquer-o-iphone.html